quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Crónicas da pedra – Volume 3

Peço desculpa pelo atraso mas a musa da inspiração deixou-me sem palavras durante uns dias…


Graças a isso, dei por mim a pensar e foi-me fácil ter um assunto um pouco delicado.


Dado que o metal prega essencialmente a liberdade, eu fico um pouco confuso com as bandas com ideologias de extrema direita que por ai andam. Quer dizer, eu não vou chegar ao ponto de não saber o que elas pregam mas sinceramente quem gosta de saber que bandas como os gloriosos Nokturnal Mortum são de ideologia neo-nazi?


É muito triste perceber que bandas assim se deixam contaminar pelas ideologias politicas dos seus membros, inquinando assim o que, de outra maneira, seria uma banda muito boa no que faz. Tal como me confunde o presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, negar a existência do Holocausto, também me deixa sem palavras pensar que pessoas como Varg Vikernes, compositor de grande categoria e acompanhante sonoro das minhas noites de á uns anos atrás, na forma da música de Burzum, defendem a extinção da raça judaica. Para todos vós que não sabem, estima-se que 85% da população portuguesa descenda de judeus e árabes, pelo que, quando alguém diz que gostava de extinguir a linha de sangue judaica, também nos inclui a nós, nobre povo lusitano, descobridores de muito do que se convencionou chamar de Novo Mundo. Quando ouço a existência de neo-nazis em muitas bandas de Portugal, Espanha ou até das Filipinas ou Indonésia, fico honestamente sem perceber que ideologia conseguem defender essas pessoas. Dos mais informados que estão a ler estas palavras, claramente que poderão falar na ideologia extrema presente no black metal mais ortodoxo, que prega a extinção da religião cristã. Ora pois bem, apesar de ser um confesso ouvinte desse estilo, não apregoo nada disso uma vez que dispenso extremismos ideológicos de qualquer tipo, não só políticos, mas também religiosos.


Gosto, no entanto, de bandas que metem o dedo na ferida e que, sendo profundamente politicas, são, acima de tudo, responsáveis por acordar muita gente para problemas reais, tais como os Lamb Of God, que, através da sua música “Redneck”, mandavam um recado directo a George William Bush. Mas isto não é extremismo; isto é o que os americanos chamam de “wakeup call”, que é como quem diz em bom português, um abre-olhos! Alertar e não condenar; convidar à união e não dividir para conquistar.


Se nas vossas bandas vão usar letras de teor politico, pensem que podem fazer a diferença, não pensem em odiar quem vos pode até idolatrar.


Foi uma crónica diferente do habitual que eu escrevi e vou escrever, mas sinceramente, ando farto de gente que não tolera a diferença. Xenofobia não é só odiar pela cor de pele ou religião, pode ser também pela roupa que se veste ou pela musica que se ouve. Pensem lá nisso… Enquanto se escuta, alto e bom som, toda a musica que vos faz sentir o corpo a vibrar em sintonia com a alma.


Aproveito para deixar a sugestão de escuta da minha predilecção do momento:


Altar Of Plagues – White Tomb,


(foi editado pela Profound Lore no mês passado)

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