quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Crónicas da pedra – Volume 5


Ultimamente andei a fazer algo de muito engraçado. Entre muito trabalho, tempo com a namorada, alguma (pouca) internet e Verão em geral (muito!), andei a ouvir de novo a minha primeira demo “oficial”. Datada de 2007 e dotada de uma produção horrível, deixou-me boquiaberto, pasmado até, com o que consegui fazer na altura com tão pouco conhecimento e know how na matéria. Apesar de não ser um fenómeno na composição, as musicas têm alguns pormenores engraçadíssimos e fiquei a pensar que às vezes não é preciso ser um génio musical para se fazer boa musica, assim como não é preciso gastar mais de 100.000 euros para produzir um disco (E não são poucos os que têm orçamentos assim). Será que chegamos ao ponto em que a embalagem é mais importante que o chocolate? É que aparentemente chegamos ao ponto em que não interessa se a vossa musica seja zero em originalidade, basta que tenha aquela produçãozona à americana, com as guitarras, baixo, bateria e voz quase a saltarem dos phones / colunas.
Por favor, façam como o manda chuva do blog e ouçam, por exemplo, Iron Maiden nos ’80 e vejam porque a musica, as malhas, OS RIFFS, tudo no geral, são ainda o mais importante. E digo-o como alguém que pratica a produção musical a um nível caseiro e que tem cada vez mais a noção que a espontaneidade da musica se está a perder a grande velocidade. É como se a embalagem de um delicioso chocolate fosse feia e levasse a que ninguém a quisesse comprar…  Sinceramente, deixem de ligar às aparências e mais à substancia, sim?
Despeço-me com as minhas escutas recentes
BEYOND RUPTURE – Deathspells And Invocations (Demo)
Project Pitchfork – Daimonion
Eighteen Visions – Vanity
1349 – Revelation Of The Black Flame
E quanto aos interessados sobre produção musica:
The loudness war (Google it :P)

Crónicas da Pedra - Volume 4


Depois de uma ausência prolongada por variadíssimos motivos, as crónicas da pedra voltam.
Mas isto não foi de todo mau, dado que eu continuei a matutar sobre imensos assuntos ligados ao metal, sendo que o que mais me ficou na memória foi mesmo a hipocrisia e cinismo que grassa (pelo menos) no nosso meio mais underground. Dou um exemplo:
Os Unbridled são uma banda underground formada por pessoal meu amigo. Após um EP prometedor mas com uma produção sofrível, eles reuniram dinheiro e gravaram de forma profissional com um engenheiro e produtor desconhecido, mas muito talentoso. Tiveram a sorte de ter o apoio de uma editora estrangeira, que os encontrou por eles nunca deixarem de procurar quem os apoiasse, porque sempre pautaram o trabalho que fizeram com doses consideráveis de força e empenho. Moral da estória: são alvos de bitching. Para os menos entendidos, são uma banda de quem muita gente gosta de odiar.
Esta introdução é apenas um exemplo dum problema habitual em Portugal, que é a ostracização das bandas que conseguem algo. A não ser que seja uma banda ligada aos opinion makers, torna-se facilmente detestável. Mas se até os Moonspell sofreram e ainda sofrem com isto…. Bem é lutar contra a maré. Quem me dera que houvesse mais união.
Crónica curta, mas sentida.
Escuta do mês:
1349 – Revelation Of The Black Flame
Bom verão e até breve!

Crónicas da pedra – Volume 3

Peço desculpa pelo atraso mas a musa da inspiração deixou-me sem palavras durante uns dias…


Graças a isso, dei por mim a pensar e foi-me fácil ter um assunto um pouco delicado.


Dado que o metal prega essencialmente a liberdade, eu fico um pouco confuso com as bandas com ideologias de extrema direita que por ai andam. Quer dizer, eu não vou chegar ao ponto de não saber o que elas pregam mas sinceramente quem gosta de saber que bandas como os gloriosos Nokturnal Mortum são de ideologia neo-nazi?


É muito triste perceber que bandas assim se deixam contaminar pelas ideologias politicas dos seus membros, inquinando assim o que, de outra maneira, seria uma banda muito boa no que faz. Tal como me confunde o presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, negar a existência do Holocausto, também me deixa sem palavras pensar que pessoas como Varg Vikernes, compositor de grande categoria e acompanhante sonoro das minhas noites de á uns anos atrás, na forma da música de Burzum, defendem a extinção da raça judaica. Para todos vós que não sabem, estima-se que 85% da população portuguesa descenda de judeus e árabes, pelo que, quando alguém diz que gostava de extinguir a linha de sangue judaica, também nos inclui a nós, nobre povo lusitano, descobridores de muito do que se convencionou chamar de Novo Mundo. Quando ouço a existência de neo-nazis em muitas bandas de Portugal, Espanha ou até das Filipinas ou Indonésia, fico honestamente sem perceber que ideologia conseguem defender essas pessoas. Dos mais informados que estão a ler estas palavras, claramente que poderão falar na ideologia extrema presente no black metal mais ortodoxo, que prega a extinção da religião cristã. Ora pois bem, apesar de ser um confesso ouvinte desse estilo, não apregoo nada disso uma vez que dispenso extremismos ideológicos de qualquer tipo, não só políticos, mas também religiosos.


Gosto, no entanto, de bandas que metem o dedo na ferida e que, sendo profundamente politicas, são, acima de tudo, responsáveis por acordar muita gente para problemas reais, tais como os Lamb Of God, que, através da sua música “Redneck”, mandavam um recado directo a George William Bush. Mas isto não é extremismo; isto é o que os americanos chamam de “wakeup call”, que é como quem diz em bom português, um abre-olhos! Alertar e não condenar; convidar à união e não dividir para conquistar.


Se nas vossas bandas vão usar letras de teor politico, pensem que podem fazer a diferença, não pensem em odiar quem vos pode até idolatrar.


Foi uma crónica diferente do habitual que eu escrevi e vou escrever, mas sinceramente, ando farto de gente que não tolera a diferença. Xenofobia não é só odiar pela cor de pele ou religião, pode ser também pela roupa que se veste ou pela musica que se ouve. Pensem lá nisso… Enquanto se escuta, alto e bom som, toda a musica que vos faz sentir o corpo a vibrar em sintonia com a alma.


Aproveito para deixar a sugestão de escuta da minha predilecção do momento:


Altar Of Plagues – White Tomb,


(foi editado pela Profound Lore no mês passado)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Crónicas da pedra – Volume 2

Ora bem, após um pequeno post de apresentação, estou de volta com uma temática bem mais dúbia que a anterior. Quantos desse lado nunca tentaram definir os limites do metal?
Pois bem, eu já o fiz frequentemente no passado e muitos também. Mas agora que falo no assunto, já não o faço à muito tempo, uma vez que a minha perspectiva sobre a musica em geral e o metal em particular foi mudando ao longo do tempo, acompanhando o crescimento pessoal.
Lembro-me extremamente bem que, no período no malfadado “nu metal”, eu era extremamente sectário em relação ao que era ou não era metal – mas convém dizer que não era só em relação ao nu metal mas sim também em relação ao gótico e outras derivações do som sagrado. Nessa altura o que fazia eu? Separava as bandas pelas características que eu definia na minha cabeça como os arquétipos de cada um dos estilos (a voz, a guitarra, o ambiente, enfim, tudo que desse para identificar). Dai que achei-me a meter fronteiras estanques em tudo que era estilo: se a voz era grunhida, tinha de ser death ou doom, se era gritada, seria black, etc etc etc…
Resumindo e concluindo, tanto trabalho para nada. No fundo, eu apenas estava a exercer uma característica inata do ser humano em geral: a categorização, para melhor organizar toda a informação – no advento do mp3, começou a enxurrada de bandas e álbuns que se fazia à imagem do tape trading mas de uma forma incomensuravelmente grande, no quais se trocavam dezenas de CD’s cheios de álbuns, tudo pelo prazer da descoberta!  Ora pois bem, pelo meio de tantas trocas, apareceu um álbum que, apesar de não ser muito conhecido, me atraiu como um íman gigante. A banda era os Ulver e o álbum era “Themes from William Blake's The Marriage of Heaven and Hell” – uma colossal obra de 2 CD’s, nos quais a fina nata do Black metal norueguês (que eu tanto idolatrava) se dedicava a fazer um som próximo do industrial e do electrónico, com pouco ou nada de metal. Apesar de tudo, ao ouvir esse álbum não me senti chocado de todo, pois a sua profunda musicalidade, aliada aos belíssimos poemas de William Blake, era arrebatadora, levando-me a questionar se estaria correcto em relação a tanto racismo musical.
Obviamente que a musica em mim venceu o metaleiro empedernido e fez-me abrir os olhos a tantas outras coisas que o mundo do metal começava a dar nessa altura e que de metal tinha pouco ou nada! Ouvi o álbum “34,788% Complete” dos My Dying Bride e finalmente achei estupendo, pois entendi o que queriam eles fazer; Ouvi o 666 International dos DHG e vi nele um dos álbuns da minha vida, com todo o ambiente industrial e electrónico para o qual abri o meu coração, com a violência a ser misturada com classe com ambientes planantes, pianos belíssimos e vozes absolutamente originais. Quero com isto dizer que não nos devemos limitar ao convencional, ao estandardizado pelos outros, devendo ser sempre nós mesmos a descobrir os limites da nossa musicalidade e da nossa personalidade.
Devemos, portanto, abraçar a diferença e acolher nela o que nos agrada. Quem sabe se o mais duro dos metaleiros não se derrete com as baladas dos X-Japan?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Crónicas da pedra – Volume 1

A minha primeira questão ao escrever a primeira crónica de pedra é:
O que escrever? Culinária? Consultório intimo? Obviamente que não.
“Heavy metal is the law”, gritou bem alto o nosso amigo Rob! Quantas vezes vezes nos damos a pensar no que nos leva a ouvir e viver o HEAVY METAL (enquanto estilo aglutinante, por isso, quando o escrevo desta maneira, estou a meter black, heavy, thrash, death, doom… whatever, METAL)?
Falam comigo e eu digo-vos que é provavelmente a avassaladora sensação de sentir um som maior que a vida a romper pelos meus ouvidos. Quando estou, seja onde for, e ouço algo que, mesmo que não conheça, a minha alma identifique como algo bem metálico, os meus ouvidos aguçam e todo o corpo pára para sentir aquela vibração bem forte que nos percorre desde a nuca até às pontas dos dedos, fazendo-nos cerrar os dedos, aquela vibração que nos faz soltar um esgar de felicidade, só possível quando o som sagrado nos afaga a alma!
Apesar da expressão variar consoante cada um, no fundo, acho que nos podemos sentir unos neste assunto! Todos nós nos alegramos, quando encontramos outros como nós (tirando algumas almas mais misantrópicas, que, apesar de tudo, merecem sempre o devido respeito – quantos de nós já não o fomos em algumas ocasiões?), pelo que posso extrapolar que todos nós reagimos similarmente ao som sagrado, uns mais efusivamente que outros.
Quando o meu amigo Paulo me pediu para escrever isto, acho que seria algo assim que ele teria em mente. Festejar o HEAVY METAL, festejar a nossa vida, pois somos metaleiros, alma e coração e muita ferrugem na veias!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

BEYOND RUPTURE - Wreak Havoc

The forthcoming BEYOND RUPTURE's debut album will be comprised of at least 8 tracks.
It will be named "Wreak Havoc" (a very Darkthrone-ish name, I know) and 2 tracks are re-recorded from the debut EP - "Vengeance" and "Wormhole".
Other tracks will be "Evil Dead", "Gospel Of Revelation", "Black Reigns Supreme" and others
News will be available through this blog and the official Myspace.
Cheers

Crónicas da Pedra

Eu tenho por hábito colocar, de uma forma muito pouco regular, vários textos no blog Pedra de Metal, nos quais eu mostro a minha dedicação a uma das minhas paixões da juventude - o Heavy Metal.
Portanto, vou nos próximos dias, colocar esses textos de forma cronológica, para que possam lê-los sem grande trabalho. não deixem, no entanto, de visitar o Pedra de Metal, porque há que apoiar a cena e acima de tudo, há que nos mantermos informados :)
Cheers

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Pedido Politico a Santo António

Encontrei esta pérola num sitio que não vou  desvendar, mas que me fez rir a bandeiras despregadas :)




Pedido politico a Santo António


Ó meu rico Santo António
Meu santinho milagreiro
Vê se levas o Guterres 
Para junto do Sá Carneiro


Se puderes, faz um esforço
Porque o caminho é penoso
Aproveita a viagem
E leva também o Durão Barroso


Para que tudo corra bem
E porque a viagem entristece
Fazes uma limpeza geral
E leva também o PS


Para que não fiquem cá a rir-se
Os senhores do PSD
Mete-os todos no mesmo carro
Juntamente com os do PC


Porque a viagem é cara
E é preciso cultivar hortas
Para rentabilizar o percurso
Não deixes cá o Paulo Portas


Para ficar tudo bem limpo
E purificar bem os ares
Arranja mais um cantinho
E leva também o Mário Soares


Como estamos em democracia
Para todos saberem como é
Aproveitas o transporte
E levas também o BE




Se puderes, faz o jeito
Durante o mês de Maio,
A temperatura está boa
E não te esqueças do Sampaio


Para não desafinar
E como o País está um caco
O melhor é levar já
O habilidoso chamado Cavaco


Todos eles são matreiros
E vivem bem dos seus golpes
Faz lá um favorzinho
E leva também o Santana Lopes


Como o carro volta vazio
E é preciso poupar
Traz de volta o nosso tio
O professor Salazar


E para este não vir sozinho
Mais um ou dois, não faz mal
Por também fazer falta
Traz o Marquês do Pombal


Hilariante como consegue atirar para todo o lado, não é?
Cheers

13 de Outubro de 1309


Celebram-se hoje 700 anos sobre a bula papal que decretou o fim forçado dos Templários e que levou à morte de milhares por toda a Europa. Chamada de Sexta Feira Negra (não confundir com o mercado bolsista ou com o El Corte Ingles), levou a que, com o tempo, se dissesse das Sextas Feiras 13 como dias do azar.

History becomes legend, legend becomes myth

Seja como for, achei por bem assinalar este dia com uma pequena lembrança.
Cheers

The Beginning

This will be the very beginning of a BEYOND RUPTURE related blog - either is connected to the band itself or to the man behind it, things will be said, things will be posted. Some posts will be in Portuguese, some in English,, depending on the circumstances.
Keep your eye in this and I'll go and do the same ;)
Cheers